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REI DO KARAOKÊ

ADENILSON DE MOURA SANTOS

Se você já foi ao Karaokê Samurai, no bairro da Liberdade, em São Paulo, é provável que tenha encontrado com um senhor elegante, sempre de óculos escuros, interpretando apaixonado músicas de Elvis Presley ou alguma canção em japonês, acompanhado de Mônica, proprietária da casa e parceria de dueto – ou pelo menos ouvido falar sobre ele. Cego desde os 44 anos, era um devoto da música e tinha o sonho de ser ouvido por mais pessoas. Chegou até a gravar um disco nos anos 80, sem muito alarde. Depois de anos de apresentando religiosamente no Samurai, faleceu 2013, aos 60 anos, dias antes de se apresentar em rede nacional, convidado por um programa de televisão. 
 

Adenilson de Moura Santos, o Rei do Karaokê, fez história na noite paulistana e, como singelo gesto de homenagem, queremos compartilhar com vocês um pouco de sua trajetória. Para isso, teremos um episódio da "Mostra Monarquia Popular Brasileira" dedicado a ele e sua paixão pela música, com depoimentos de amigos e familiares – seus fãs. 

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ADENILSON DE MOURA SANTOS (em memória)

 

Dizem que quando uma pessoa perde um dos sentidos, o cérebro se adequa para suprir essa falta. Se isso for verdade, no caso de Adenilson de Moura Santos, a ausência de visão foi recompensada na voz. Figurinha carimbada do Restaurante e Karaokê Samurai, um dos mais populares de São Paulo, foi um excelente cantor e, acompanhado de seus óculos escuros e chapéu (ou seria coroa?), fazia a sua plateia se emocionar.

 

Funileiro de profissão, nosso Rei do Karaokê cantava desde clássicos da música mundial, como Elvis Presley, Elton John e Frank Sinatra, passando por Raul Seixas, até chegar nos boleros de Altemar Dutra. Mas fora os covers, compunha suas próprias músicas para gravar um álbum solo, com letras românticas e nostálgicas.

 

Adenilson nunca foi anônimo em seu meio, mas uma reportagem da jornalista Taísa Szabatura levou sua história até as páginas do jornal. Nascido na Bahia, viveu e fez seus primeiros shows em programas de calouros no Paraná, e acabou chegando em São Paulo, onde se estabeleceu. Gravou um disco em 1982, mas sem grande alarde.

Perdeu a visão por complicações do diabetes no final dos anos 90, mas não perdeu seu bom humor e simpatia, sempre risonho e contando piadas. O único momento que não estava feliz era quando precisava ir ao hospital fazer hemodiálise, três vezes por semana. A insatisfação não era pela saúde, mas por ter que deixar de lado sua paixão: o microfone.

 

Mais do que apenas um lugar para cantar, o karaokê era sua segunda casa. Mônica, a dona do Samurai, virou uma grande amiga de Adenilson. Para celebrar essa amizade, faziam duetos, cantando uma música em japonês: Itsudemo Yume wo (pra sempre o nosso sonho). Essa parceria fez com o que poderia ser apenas uma pessoa comum cantando uma música qualquer, se tornasse em um show completo com direito a entrada triunfal, jogo de luzes e água no “camarim”.


Comumente, os frequentadores do Samurai precisam acompanhar as letras das músicas que surgem em um monitor, para cantar em cima do instrumental que sai das caixas de som. Já Adenilson não precisava. As letras decoradas sem o auxílio visual – até mesmo aquelas em japonês –, ganhavam força em sua voz possante.

Depois que sua história foi contada pela jornalista, um programa de auditório de TV o convidou para se apresentar. Era seu momento de brilhar ainda mais, ganhar o espaço que merecia. Mas por ironia do destino, não foi possível. Adenilson faleceu logo em seguida. Que sua voz alcance nossos corações.    

 

 

depoimentos

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Paulo Mamoru

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Cristina Zuliani

Cristina Martin Augé Corrêa Zuliani.jfif
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Jhenis Coelho

Jhenis Santos Coelho .jfif
00:00 / 01:44